Uma unidade será destinada a itens para tratamento de sementes e a outra para produção de bioinsumos
São Paulo (17 de março de 2026) —
A subsidiária brasileira da americana BRANDT, fabricante de insumos e biodefensivos, está desembolsando cerca de R$ 110 milhões na construção de duas fábricas na cidade de Cambé, no Paraná. A maior parte do investimento — cerca de R$ 65 milhões — é destinada a uma unidade de tratamento de sementes. Na planta, a empresa vai passar a fabricar um portfólio de produtos, lançados há duas safras nos Estados Unidos, para tratar cultivares de soja, milho, algodão, feijão e amendoim. O valor restante tem como destino uma unidade de biológicos, como biofungidas e biopesticidas.
Com esses investimentos, o CEO da BRANDT Brasil, Wladimir Chaga, avalia que a empresa está bem posicionada em um setor em que o país é líder no mundo. Segundo o executivo, com o início de operação da planta de biológicos, a subsidiária passará a exportar os itens produzidos em Cambé para países da América do Sul e Europa.
O uso de bioinsumos na agricultura brasileira cresceu 15% na safra 2024/25, e historicamente o setor avança, em média, 22% ao ano, de acordo com dados da CropLife Brasil. O faturamento no mercado de bioinsumos no país somou R$ 4,5 bilhões em 2024, ainda bem abaixo dos agroquímicos, segmento que faturou R$ 81,6 bilhões.
Apesar dos avanços expressivos dos bioinsumos, Chaga tem uma visão cautelosa no curto prazo. Isso porque ele enxerga potencial redução de preços nas commodities na próxima safra, o que interfere diretamente em seu negócio. O motivo é a expectativa de uma maior área de soja nos EUA em relação ao ciclo passado, por conta da rotação de cultura no país.
“Isso pode atrapalhar a soja brasileira em 2026/27 em função de preço que pode sofrer com achatamento em virtude do volume maior de soja nos EUA”, disse.
Chaga avalia ainda que o câmbio deve impactar o preço das commodities, principalmente no segundo semestre com as eleições no Brasil. “É ano de fazer barter, de fazer a troca de soja por produtos. As revendas e cooperativas vão fazer esse tipo de oferta ao produtor para que ele se garanta e tenha um custo protegido ao longo da safra”.
Em 2023, a BRANDT anunciou que investiria R$ 130 milhões na construção de fábricas no país, mas adiou os planos diante da restrição de crédito no agro, da baixa das commodities agrícolas e dos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Agora, os investimentos estão se concretizando. “Entendemos que era incerto o retorno para os anos seguintes”, afirmou Chaga.
Para ele, a decisão foi acertada. De 2024 para 2025, o faturamento da Brandt cresceu 16%, e a previsão é que a marca do R$ 1 bilhão seja superada em cinco anos, segundo o executivo. O Brasil é o maior país fora dos Estados Unidos, onde a companhia foi fundada há 73 anos, em termos de receita.
Conforme apurou o Valor, a Brandt fatura no mundo ao redor de US$ 500 milhões anuais. As novas plantas, em fase de conclusão, estão localizadas no complexo industrial onde a Brandt já tem fábrica de fertilizantes especiais, defensivos e biológicos.